Chegou-me agora às mãos um folheto onde diz "Liberalizar o aborto? Não!". Eu pensava que eram só o cidadão comum, por assim dizer, que andava mal informado, afinal o caso é mais grave do que parece. Do outro lado ainda se lê "O que se pretende [...] permitir o aborto sem qualquer restrição até às dez semanas." e, ao canto, "Liberalização do aborto? Não! [X]". Não há referência a qualquer grupo de pessoas, nenhum partido, nada. Qualquer um podia ter feito isto e distribuído por aí, mas deturpar a questão em causa só alguém sem escrúpulos faria.
Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?
É sobre isto que nos é pedida opinião e não sobre "liberalizações" ou "legalizações" e custa-me a crer que as pessoas que defendem o não achem que o aborto se vai tornar tão comum como usar preservativo!
"Em 2005 houve 18 mil abortos clandestinos em Portugal" [1]. Com a actual lei isso reflecte-se em 18 mil potenciais novos reclusos nas cadeias, só num ano.
"Em 2002 houve 11 mil mulheres internadas por aborto em Portugal" [2]. Um aborto envolve riscos (infecções, etc) e a realidade é que o dinheiro dos contribuintes está a financiar os tratamentos de, à luz da lei actual , mulheres criminosas.
"Cerca de 350 mil portuguesas já terão feito um aborto" [3]. Eu vejo isto como 350 mil pedidos de acompanhamento no planeamento familiar. Aí o Estado desempenha um papel fundamental e não se pode descartar dessa responsabilidade.
Como diz o PM José Sócrates, o aborto é uma "chaga social" [4]. Curiosamente, o bispo de Leiria partilha dessa opinião [5]... a igreja está a defender, com legitimidade, o direito à vida. É a circunstância em que o faz que induz as pessoas em erro - ainda não ouvi um único membro da igreja falar da despenalização do aborto. Só do aborto.
Vejo pessoas justificar o seu "não" no referendo por se dizerem contra o aborto. Saberão elas qual é a pergunta a que têm que responder?
um dia atrás do outro
quarta-feira, janeiro 31
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2 comentários:
No próximo referendo (sim, pq com o atraso mental em que vive o nosso país de certeza que o [x] NÃO ganha outra vez) sugiro que distribuam folhetos a dizer "Queres menos filhos? Fode menos! (ou, à cautela, não fodas que um azar pode acontecer a qualquer um)"
Pelo menos tinham mais piada, e aposto que a produtividade do nosso país subia em flecha... nada me convence que não se perde tempo de mais a fazerem-se bebés :P
No Rpximo referendo Vota SIM! Antes um aborto hoje que um Portista amanha!
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